
Tenho uma página inteira para escrever. Que é como quem diz, ando a acumular histórias. De mim e de outros. Ando a descobrir e perceber um lado oculto, mas transponível. Ando também a aumentar-me.
Estou em Luanda. E oiço, todos os dias, as particulares histórias de todos e cada um. Absorvo, gota a gota, as diversidades. Integro em mim as novidades, as surpresas e as infindáveis verdades. Interiorizo Luanda.
Hoje choveu, choveu muito. E ao fim de quinze dias vi a a baía de Luanda em toda a sua transparência. Foi mágico e secretamente filmado na minha retina. Só nela. Sem turismo, ou fortuitas captações, porque tenho apenas o meu computador. Aquele que me permite estar em todo o mundo ao mesmo tempo. E simplesmente aqui.
Tenho uma página em branco, disponível e generosa, para absorver humildemente o que um dia hei-de saber melhor.
É bom ter uma página em branco. É uma possibilidade completa e complexa. Neste caso, sem a angústia tantas vezes sentida.
Estou em Luanda e isso é bom.
É bom ter páginas em branco em qualquer parte do mundo.
Para mim está a ser bom ter esta, aqui.
É bom tê-la em Luanda.
1 comentários:
Une feuile blanche
c'est un univers infini.
Jean-Michel Folon
faço minhas estas palavras e junto um abraço e um fantástico 2010.
rosário
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